08 março 2010

outro pesadelo de Kafka

Desde quarta feira que tento resolver uma pendência com o Banco Real. Desde quarta e ainda não consegui. O problema é simples: O Banco descontou sem aviso prévio a bagatela de 700 reais da minha conta. Não entendi e como sou desorganizado imaginei que alguma coisa me escapara, talvez um cheque que não anotei ou uma compra irresponsável – que tratei de esquecer – usando o Visa Elétron. Mas não foi nada disso, e tudo se esclareceu: O Banco descontou quatro parcelas de um empréstimo que eu – honrado que sou – já havia quitado como manda um bom acordo entre cavalheiros. Desde então venho tentando resolver o entrave que cada vez mais ganha contornos kafkianos.

O gerente me esclareceu tudo, não pediu desculpas e apenas me informou que eu deveria me dirigir ao setor onde meu problema seria resolvido. Não era ali, ele disse. Mas com o pessoal do empréstimo consignado. Acontece que esse tal setor está congestionado já faz dias como provavelmente não esteve nem durante o Bug do Milênio e por isso todos os dias tem sido a mesma penitência: Chego às 13 horas – é o horário que posso chegar –, dirijo-me ao setor de consignado, resignado retiro minha ficha e me sento na cadeira lendo uma coletânea de contos de horror – aliás, bem apropriado – até o momento quando alguém cerimonioso me informa que devo voltar amanhã, já que o sistema – por mais incrível que pareça – saiu do ar.

No primeiro dia peguei uma ficha de atendimento número 49 e fiquei deveras desolado quando comparei com o número na placa luminosa. Faltavam duas horas para se encerrar o expediente bancário e eu tinha 44 pessoas na minha frente. No segundo dia a ficha trazia o número 52 e as coisas só pioraram já que sexta feira o número pulou para 58. Hoje, segunda feira, fiquei quase feliz fitando um simpático 55.

Quando fui informado que o sistema saiu do ar – durante quatro dias consecutivos o destino nunca foi tão repetitivo – faltavam dez minutos para as cinco horas e nisso tudo intui uma simbologia dos números. A moça me deu uma ficha de número 6 e foi a primeira vez que peguei um número contendo apenas um dígito. Naquele meio tempo achei que só existissem dezenas. Amanhã estarei lá com minha ficha número 6. Na numerologia o seis significa liberdade. Não ambiciono outra coisa, finalmente estar livre do pesadelo de Kafka e reembolsado dos meus 700 reais.

2 comentários:

Joaquim Rafael Soares disse...

Os bancos, o governo, os operadores do direito que vivem da morosidade da justiça, alguém já falou, são os filhos de Kafka, órfãos nessa vida sem sentido...

Rukasu - kun disse...

Muito bacana o texto,parabéns